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O assunto desta noite sobre o caos carismático é o evangelho da saúde, riqueza e prosperidade. O título desta mensagem pode ser uma pergunta: "Será que Deus promete saúde e riqueza?" Algumas semanas atrás, quando eu estava na União Soviética, pediram-me: "Queremos que você pregue sobre o evangelho da saúde e da riqueza". Eu estava falando para centenas de pastores e o pastor Dukharchenko, líder da igreja na Ucrânia, disse: "Quero que você pregue sobre o evangelho da saúde e da riqueza". Respondi: "Você está me dizendo que isso é um problema aqui?" Como alguém poderia ir à União Soviética e prometer riqueza às pessoas? Uma nação inteira na pobreza. Ele disse: "Sim, é. Recentemente um americano visitou os arredores de Kiev e convocou as pessoas da cidade dizendo que representava Jesus Cristo e que iria pregar. Uma grande multidão de não-cristãos veio ouvi-lo, e ele lhes garantiu que Deus queria que fossem saudáveis e ricos. Além disso prometeu que se eles voltassem na noite seguinte, o poder de Deus cairia sobre eles e todos seriam curados. E eles vieram”. O pastor relatou que uma grande multidão se ajuntou, mas ninguém foi curado. O resultado foi que aquelas pessoas cuspiram no homem. As promessas absurdas que são feitas e não podem ser cumpridas trazem um prejuízo imenso ao nome de Cristo.

Um dos legados mais estranhos da Segunda Guerra Mundial ficou conhecido como os “cultos à carga” no Pacífico Sul. Quem mora na Austrália ou na Nova Zelândia sabe do que estou falando. Muitos aborígenes das ilhas entre o norte da Austrália e a Indonésia tiveram seu primeiro contato com a civilização moderna através das forças armadas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Sobretudo o exército americano usou essas ilhas remotas no Pacífico Sul como locais para pistas de pouso temporárias e depósitos de suprimentos. Talvez alguns de vocês se lembrem do cenário da Segunda Guerra Mundial - pessoalmente não me lembro de nada disso porque era muito pequeno, mas li e sei o que ocorreu. Talvez alguns se lembrem dos seus livros de história relatando que nosso exército ocupou várias ilhas remotas no Pacífico Sul e construiu pistas de pouso e depósitos de suprimentos de modo que pudéssemos manter nossos homens no ar.

Portanto quando os americanos e outros aliados chegaram a essas pequenas ilhas e conheceram esses habitantes aborígines, eles traziam cargas em seus aviões. Voaram para lá, construíram essas pistas de pouso para poderem transportar equipamentos maiores, e então trouxeram enormes contêineres cheios de carga e partiram tão rapidamente quanto chegaram quando a guerra terminou. Os habitantes nem tiveram oportunidade de aprender os comportamentos da civilização. Por um breve momento, eles viram de perto a tecnologia mais avançada da época. Aviões de carga vinham do céu, aterrissavam, descarregavam e decolavam. De repente os nativos que viviam na selva viram isqueiros que produziam fogo instantaneamente e pensaram que se tratava de um milagre. Viram máquinas grandes entrarem e derrubarem árvores. De um dia para o outro, eles passaram do ponto em que nem conheciam a roda ou um carro para verem de perto jipes, armas modernas, geladeiras, rádios, caixas de som, ferramentas elétricas e vários tipos de alimentos em latas e potes de vidro.

Eles ficaram fascinados com tudo isso e muitos deles concluíram que os homens brancos eram deuses. Quando a guerra terminou e as tropas partiram, os habitantes construíram santuários para os deuses da carga. Seus tabernáculos eram réplicas perfeitas de aviões de carga, torres de controle e hangares de aviões. Eles os construíram com bambu e tecido. Essas estruturas eram muito parecidas com as torres de controle, os hangares de aviões e os próprios aviões, mas não eram funcionais; eram santuários ou templos para os deuses da carga.

Em algumas dessas ilhas remotas os cultos da carga ainda prosperam. Alguns personificaram todos os americanos em uma divindade, que chamam de Tom Navy. Eles oram pela carga sagrada de todos os aviões que os sobrevoam. Eles veneram relíquias religiosas como isqueiros, câmeras, óculos, canetas esferográficas, porcas e parafusos, e assim por diante. Mesmo quando a civilização começou a penetrar em algumas dessas culturas, seu fascínio pela carga não diminuiu. Na verdade, os missionários que foram enviados para essas áreas onde as seitas de carga floresciam receberam uma recepção calorosa a princípio porque os adeptos desses cultos viram sua chegada como a segunda vinda do deus da carga. Mas o que eles querem é a carga, e não o evangelho, e os missionários dizem ser muito difícil vencer o materialismo, que é a essência das seitas de carga.

Nos últimos anos o movimento carismático gerou sua própria versão dos cultos à carga. É a chamada palavra do movimento de fé; também conhecido como o movimento da fé, fórmula da fé; palavra da fé, hiper-fé, confissão positiva, nomeie e reivindique ou o ensino da saúde, riqueza e prosperidade. Muitos nomes. Essa subdivisão do movimento carismático facilmente se torna tão supersticiosa e materialista quanto os cultos à carga do Pacífico Sul. Os líderes desse movimento de fé, incluindo Kenneth Hagin, Kenneth e Gloria Copeland, Robert Tilton, Fred Price e Charles Capps, prometem a cada crente prosperidade financeira e saúde perfeita. Argumentam que menos do que isso não é a vontade de Deus.

E muita gente concorda com isso. Fiquei sabendo que na semana passada houve uma grande, enorme convocação na igreja de Fred Price, que defende isso, e que contou com a participação não só de muitos carismáticos e pentecostais, mas também de um pastor presbiteriano de destaque em nossa área. Todos estiveram ali. Os tentáculos desse tipo de teologia se estenderam por toda parte. Eles buscaram aceitação popular e conseguiram construir relacionamentos com pessoas que, por causa desses relacionamentos, não dizem a verdade a respeito deles. E assim a coisa se espalha como um incêndio. É claro que isso atrai as pessoas, pois não exige nada além de fé. Não exige santidade. Não exige devoção ou dedicação. Exige apenas fé e promete que se você tiver fé suficiente, ficará rico e saudável. Essa é uma mensagem popular.

Creio que podemos dizer que todas as religiões falsas geradas pelo homem adoram um deus cuja função é entregar algum tipo de carga. Ou seja, a religião humana invariavelmente inventa deuses por razões utilitárias. Eles inventam deuses que lhes dão o que querem. Eles inventam divindades para servi-los, e não o contrário. A teologia da palavra de fé transformou o cristianismo num sistema que não é diferente das religiões humanas mais primitivas. É uma forma de vodu onde Deus pode ser coagido, persuadido, manipulado, controlado e explorado para os próprios fins.

Recebi um pacote enviado um professor extremista da palavra de fé chamado David Epley. No pacote havia uma brochura e um sabonete abençoado pela oração. “Vamos lavar toda a má sorte, doença, infelicidade e maldade. Sim, até mesmo aquela pessoa má que você quer excluir da sua vida. Jesus ajudou um homem a lavar a cegueira dos olhos; quero ajudá-lo em relação a feitiços, aborrecimentos, problemas domésticos, amor, felicidade e alegria”, dizia o folheto. Dentro do caderno havia testemunhos de pessoas que haviam sido abençoadas por esse ministério. "A porta se abre para um novo emprego", dizia um deles. "O sonho de US$80.000,00 se tornou realidade", afirmava outro. "Eu não conseguia usar minha mão durante 12 anos", dizia outro. O pacote ainda trazia uma carta pessoal do pastor, com uma página inteira de instruções sobre como usar o sabonete. Se você o usasse corretamente, traria cura e dinheiro. “Agora, depois de lavar a pobreza das mãos, tire a maior nota ou cheque que você tiver. Segure essa nota de $100,00, $50,00 ou $20,00 nas mãos limpas e diga: 'Em nome de Jesus, dedico esse presente à obra de Deus e espero um retorno milagroso do dinheiro'”. E é claro que sua maior nota ou cheque deve ser enviada para David Epley.

O último parágrafo dizia, abre aspas: “Através desse dom de discernimento, vejo algumas pessoas enviando uma oferta de US$25 e Deus está me mostrando um grande cheque que receberão em breve. Grande mesmo. Parece ser de mais de US$1.000,00. Sei que isso parece estranho, mas você me conhece bem o suficiente para saber que tenho que obedecer a Deus quando Ele fala. Estarei aqui esperando sua resposta”.

Francamente, isso soa mais como magia negra. Com certeza esse é um exemplo mais chocante do que a maioria, mas que reflete o estilo típico de quase todos os ministérios da fé. Se fosse só o trabalho de um camelô, isso já seria bastante ruim. Acho que posso dizer honestamente: consigo tolerar o reverendo Ike; posso aceitar o Reverendo Ike porque - não sei se você sabe quem ele é, mas se não souber, não se preocupe. Posso aceitar o reverendo Ike porque ele usa os mesmos artifícios, mas não diz que aquilo é cristão. O que causa tantos estragos é relacionar esse tipo de golpe a Jesus. Os mestres da Palavra da Fé corromperam o cerne do cristianismo do Novo Testamento. Eles afastaram o foco do crente da sã doutrina, da adoração, do serviço, sacrifício e ministério. Eles mudaram o foco para promessas de bênçãos físicas, financeiras e materiais. Essas bênçãos seriam a carga que Deus deve entregar àqueles que conhecem e seguem a fórmula da Palavra da Fé.

Escritos da palavra de fé – há uma infinidade deles; nem é possível acompanhá-los. Recebi um novo esta semana que alguém me enviou para tentar me ajudar a ver a verdade. É um livro grosso sobre todos esses mestres da palavra de fé. Tem as fotos de todos eles na capa. Praticamente não há limites para a proliferação dessa literatura; muitas árvores são derrubadas nesta operação para serem usadas como celulose e papel. Os artigos sobre a Palavra da Fé trazem títulos do tipo: “Como emitir seu próprio ingresso para Deus”, “A piedade é lucrativa”, “As leis da prosperidade”, “O poder criativo de Deus trabalhará por você”, “Liberando o poder de Deus por meio da oração”, “A fórmula de Deus para o sucesso e a prosperidade“, “A chave-mestra de Deus para a prosperidade”, “Vivendo na prosperidade divina”, e assim por diante.

Na religião da palavra de fé, o crente usa Deus, ao passo que a verdade do cristianismo bíblico é: Deus usa o crente. A teologia da palavra de fé vê o Espírito Santo como um poder a ser usado para o que o crente quiser. A Bíblia ensina, no entanto, que o Espírito Santo é uma pessoa que capacita o crente a fazer o que Deus quer. O que eles pregam é totalmente contrário às Escrituras. Muitos mestres da Palavra da Fé afirmam que Jesus nasceu de novo para que nós pudéssemos nos tornar pequenos deuses. As Escrituras, no entanto, ensinam que Jesus é Deus e somos nós que devemos nascer de novo.

Francamente, tenho pouca ou nenhuma tolerância com esses enganos, essas deturpações das Escrituras e afirmações falsas do movimento da Palavra da Fé. Não tenho nenhum constrangimento em falar sobre esse assunto, porque acredito que estou preso ao meu compromisso como alguém chamado para ministrar a verdade de Deus, pois isso afronta tudo o que entendo ser verdade sobre as Escrituras.

O movimento é muito parecido com algumas seitas gananciosas e destrutivas que assolaram a igreja primitiva. Paulo e outros apóstolos não se acomodaram nem toleraram os falsos mestres que propagavam ideias como essas na sua época. Eles os identificaram como falsos mestres perigosos e instaram os cristãos a evitá-los. Por exemplo, Paulo alertou Timóteo quanto a isso dizendo: "[...] homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro".

Isso não é novidade. Paulo estava lidando com gente que pensava que a piedade era uma moeda de troca para obter dinheiro. Paulo disse ainda a Timóteo: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” Saiba que a origem dessas seitas é o amor ao dinheiro. Eles desenvolvem uma religião para acomodar sua luxúria. Judas escreveu sobre os mercadores da fé de sua época: “Ai deles, porque seguiram o caminho de Caim; movidos por ganância, precipitaram-se no erro de Balaão e pereceram na rebelião de Corá. Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas; ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre. Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros.” Fechar aspas.

Não há nada que eu possa dizer que seja tão forte quanto isso, e isso está na Palavra de Deus. Pedro escreveu: “Assim como, no passado, surgiram falsos profetas entre o povo, da mesma forma, haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao cúmulo de negarem o Soberano que os resgatou, atraindo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão seus falsos ensinos e práticas libertinas, e por causa dessas pessoas, haverá difamação contra o Caminho da Verdade”. Pedro continua dizendo: "O julgamento deles de muito tempo atrás não está ocioso, e a destruição deles não está adormecida [...] por proferirem palavras arrogantes de vaidade, atraem a sensualidade”. Isto é, eles nos seduzem com nossos objetos de desejo e atraem aqueles que mal conseguem escapar daqueles que vivem em erro, “prometendo-lhes liberdade enquanto eles mesmos são escravos da corrupção, pois pelo que um homem é vencido, por isso ele é escravizado”.

Mostre-me uma pessoa que prega o evangelho do dinheiro, a mensagem do dinheiro, a mensagem da riqueza, e eu lhe mostrarei alguém que foi corrompido pelo amor ao dinheiro. Isso é o que Pedro está dizendo. Paulo disse que cobiça é idolatria, e Paulo proibiu os efésios de se associarem a qualquer pessoa que trouxesse uma mensagem de imoralidade ou uma mensagem de cobiça (Efésios 5:5-7).

Agora a pergunta é: até que ponto os mestres modernos da Palavra de Fé se parecem com os falsos mestres gananciosos que os apóstolos descreveram? É certo descartar o movimento como herético? Como sub-cristão? Bem, eu gostaria de examinar isso para descobrir. Eu hesitei em taxar o movimento da Palavra da Fé como seita somente porque até o momento seus limites são um tanto nebulosos. Muitos cristãos sinceros são atraídos para ensino da Palavra da Fé. Esse ensino não é exatamente uma seita com limites definidos e identificáveis. Ele é meio amorfo que flutua por aí de maneira quase indefinida e colide com todo tipo de grupos cristãos.

E se por um lado não podemos afirmar que todos os envolvidos sejam sectários ou que todos os seus elementos sejam próprios de uma seita, ela apresenta uma cristologia distorcida, isto é, uma visão distorcida de Cristo. Ela traz uma visão distorcida do homem, uma visão exaltada do homem. Traz uma teologia baseada em obras humanas. Traz um processo de santificação que justifica a ganância. Traz a crença de que novas revelações dentro do grupo revelam segredos que foram ocultados da igreja durante anos. Ela crê que escritos humanos extra-bíblicos são inspirados e têm autoridade, e são tão exclusivos que obrigam seus adeptos a repudiar toda e qualquer crítica ao movimento. Na verdade Benny Hinn disse que quando alguém o critica, ele tem vontade de pegar uma metralhadora do Espírito Santo e explodir a cabeça da pessoa.

Se não se fizerem algumas correções minuciosas nas bases doutrinárias do movimento, ele se tornará uma seita claramente identificável, se já não o é. Com certeza é o que existe de mais próximo às seitas de ganância da época do Novo Testamento, que os apóstolos chamaram de heresia. Sei que esse é um veredito grave, mas acho que há muitas evidências para confirmar isso. Ao longo de quase toda sua história, o movimento da Palavra da Fé maculou, distorceu, ignorou, corrompeu ou destruiu as doutrinas essenciais da fé cristã.

Vejamos isso melhor. Primeiramente, o movimento da Palavra de Fé tem o deus errado, tem o deus errado. Acredito que estou certo ao dizer que o deus do movimento Palavra da Fé não é o Deus da Bíblia. O ensino do movimento Palavra da Fé, na verdade – preste atenção - coloca o crente individual - você está pronto para isso? - acima de Deus e transforma Deus em Papai Noel, ou num gênio da lâmpada, ou num criado que está lá para fazer o que o cristão lhe disser. Veja, esses mestres da Palavra da Fé são sua própria autoridade suprema.

Kenneth Hagin, que é um dos fundadores desse movimento, escreveu este livreto chamado “How to write your own ticket with God”, algo como ”Como conseguir seu próprio ingresso para Deus". Ele conta ter tido uma visão de Jesus e dito a Ele: “Querido Senhor, tenho dois sermões que prego sobre a mulher que tocou em Suas vestes e foi curada quando o Senhor esteve na terra. Recebi esses dois sermões por inspiração”. Estou citando. Mais tarde, ele relata o que Jesus teria respondido. Jesus teria dito: “Você está certo. Meu Espírito, o Espírito Santo, está tentando colocar outro sermão em seu espírito, mas você não entendeu. Enquanto estou aqui, farei o que você pede e lhe darei o esboço do sermão, agora pegue seu lápis e papel e anote”. Segundo Hagin, foi o que Jesus lhe teria dito. Hagin afirma ter recebido inúmeras visões e oito visitas pessoais de Jesus. Vejam o que ele escreveu, abre aspas: “O próprio Senhor me ensinou sobre prosperidade. Eu nunca li sobre isso num livro. Eu recebi isso diretamente do céu”. Essa afirmação é uma mentira deslavada. Vou explicar por que daqui a pouco.

Veja, eles acreditam, ou querem que todo mundo acredite, que Deus está dando essas informações a eles. Você entende, amado, que se não existe um cânon fechado, se as Escrituras não se encerram com o Livro do Apocalipse, se Deus continua dando novas revelações, não há como parar o dilúvio de bobagens. Todos afirmam que Deus fala com eles. Os adeptos do movimento Palavra da Fé têm a sorte de Deus lhes dizer exatamente o que querem que Ele diga. Eles criaram Deus à imagem que eles querem.

Por exemplo, eles não têm conceito de Deus como soberano. No Salmo 103:19 as Escrituras dizem: “O Senhor estabeleceu Seu trono nos céus; e Sua soberania domina sobre todos”. O que isso significa simplesmente é que Deus cuida de todos e de tudo. Deus é o bendito e único soberano, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores (1 Timóteo 6:15). No entanto, no material da Palavra da Fé que li não encontrei uma única referência à soberania de Deus, nenhuma. O motivo é óbvio: eles não creem que Deus é soberano. De acordo com o ensino da Palavra da Fé, Jesus não tem autoridade na terra; tudo foi delegado à Igreja. Kenneth Hagin diz isso em seu livro intitulado A Autoridade do Crente, que, a propósito, possui longos trechos copiados palavra por palavra de livros de outros autores; e ele diz que os recebeu de Deus. Isso simplesmente não é verdade, mas ele diz que Jesus não tem autoridade pois delegou tudo à Igreja; nós estamos no comando de Deus e no comando de Jesus.

Além disso, a teologia da Palavra da Fé ensina que Deus é limitado por leis espirituais que governam a saúde e a prosperidade. Deus está sujeito a algumas leis e princípios. Se dissermos as palavras certas, ou se tivermos a fé certa, Deus será forçado a responder da maneira que determinarmos. Robert Tilton afirma que Deus já se comprometeu a participar de um relacionamento de aliança conosco. “Podemos assumir o compromisso ou promessa que quisermos”, diz Tilton, “e aí poderemos dizer a Deus, debaixo da autoridade da Sua Palavra, o que queremos que Ele faça. Isso mesmo. Na verdade você pode dizer a Deus como você gostaria que fosse a parte dele na aliança”. Fechar aspas.

No sistema da Palavra de Fé, Deus não é o Senhor de tudo. Ele não pode agir a menos que o liberemos para operar. Ele depende de instrumentos humanos. Ele depende da fé humana. E acima de tudo, Ele precisa agir em resposta as palavras humanas para realizar Sua obra. Charles Capps escreveu, entre aspas: ”Você tem poder para liberar a capacidade de Deus". Em outras palavras, Deus fica preso até que lhe demos ordens. Por outro lado, de acordo com Charles Capps, “o medo ativa o diabo. Se você sucumbir ao medo, mesmo que duvidando só um pouco", diz ele, "você tira Deus da situação. Naquele momento você interrompeu a capacidade de Deus imediatamente. Talvez (ele?) estivesse prestes a se manifestar, mas agora você estabeleceu a palavra de Satanás na terra, que não está melhorando. A coisa ficou pior. Você estabeleceu a palavra de Satanás”. Fecho aspas. O que ele está dizendo é: se você tiver medo, dará espaço para o diabo trabalhar; se tiver fé, permitirá que Deus trabalhe. Então, se você tem medo de Satanás, está engarrafando a Deus e liberando Satanás. Caramba, como você é poderoso!

Em seu livro A Língua: Uma Força Criativa, Charles Capps afirma que Deus entregou sua soberania, incluindo – preste atenção - sua autoridade criativa, para as pessoas. Capps escreveu: "Em agosto de 1973, a palavra do Senhor veio a mim dizendo" – e só isso já é assustador. E agora vem uma citação; este é o Senhor falando a Charles Capps: “Se os homens crerem em Mim, longas orações não serão necessárias. Apenas o fato de dizer a palavra será suficiente para trazer o que você deseja. Meu poder criativo foi dado ao homem em forma de palavra. Eu interrompi meu trabalho por um tempo e dei ao homem o livro do meu poder criativo. Para que seja eficaz, o homem deve falar com fé. Jesus disse as palavras quando esteve na terra e assim como funcionou na época isso deve funcionar agora, mas é preciso que elas sejam ditas pelo corpo. O homem deve se levantar e ter domínio sobre o poder do mal através das minhas palavras. Meu maior desejo é que meu povo crie uma vida melhor com a palavra falada, pois Minha palavra não perdeu o seu poder apenas porque foi dita uma vez. Ela continua tão poderoso quanto no momento em que eu disse: 'Haja luz'. Mas, para que minha palavra seja eficaz, os homens devem pronunciá-la, e esse poder criativo surgirá realizando aquilo que é dito com fé”. Fecho aspas.

Em outras palavras, o que ele está afirmando é isso - se você tiver fé suficiente, tem a capacidade de criar com suas palavras. Você quer dinheiro? Crie dinheiro com suas palavras cheias de fé. Você quer cura? Crie a cura com suas palavras cheias de fé. Não consigo entender como um desses mestres populares da Palavra da Fé foi capaz acumular dívidas de cinco milhões de dólares. Ele não poderia simplesmente falar e trazer dinheiro à existência? Por outro lado, por quê orar se suas palavras têm tanta força criativa? Por que orar? O que há para pedir? Você realmente nega que precisa buscar algo de Deus. Afinal, Deus lhe deu soberania; Ele cedeu Seu poder criativo a você. Não é mais a palavra Dele. Na primeira vez foi a palavra Dele, mas agora é a sua palavra. Traga as coisas à existência; você não precisa de Deus; você é soberano.

Outro mestres deles, Norvel Hayes, diz que é melhor se dirigir a seu talão de cheques, à sua doença ou a qualquer apuro pelo qual esteja passando, do que recorrer a Deus em oração. Cito mais uma vez: “Você não deve falar com Jesus sobre isso; você deve falar diretamente com a montanha no Nome de Jesus, qualquer que seja a montanha em sua vida. Pare de falar com Jesus sobre isso. Pare de falar com qualquer outra pessoa sobre isso. Fale com a própria montanha no nome de Jesus. Não diga: 'Ó Deus, ajude-me, remova esta doença de mim'. Diga: 'Gripe, eu não vou deixar você entrar no meu corpo. Saia de mim no Nome de Jesus. Nariz, digo a você, pare de escorrer. Tosse, eu digo que você saia no nome de Jesus’. Diga: 'Câncer, você não pode me matar. Eu nunca morrerei de câncer em nome de Jesus’. Continuo citando: “’Você tem uma montanha financeira em sua vida?’” Comece a conversar com seu dinheiro. Diga ao seu talão de cheques que se alinhe à Palavra de Deus. Fale com o seu negócio. Ordene que os clientes entrem em sua loja e gastem seu dinheiro ali. Fale com a montanha”.

Vocês dão risada e eu entendo, mas há muita gente que não acha graça. Eles acreditam nisso. Norvel Hayes tem diversas publicações, e o nome de uma delas é: “Coloque seus anjos para trabalhar”, o que indica que você não somente é soberano sobre este mundo, mas também sobre o mundo angelical. Hayes também ensina que os crentes podem exercitar o domínio sobre os anjos - abre aspas: “Uma vez que os anjos são espíritos ministrantes enviados para ministrar aos cristãos,” ele argumenta, “podemos aprender como acioná-los em nosso favor. Nós, crentes, devemos manter essas criaturas angelicais ocupadas. Deveríamos fazer com que trabalhem para nós o tempo todo”. Fecho aspas.

Portanto, creio que estou certo ao dizer que a teologia do movimento da Palavra da Fé nega a soberania de Deus, elimina a necessidade de orar a Deus para que alivie nossos fardos ou necessidades e dá ao próprio cristão o domínio e o poder criativo. Na minha opinião, é a pior face do orgulho humano. Mais do que isso, é idolatria e o novo ídolo é o ego, enquanto Deus é destronado.

Indo um pouco mais além com esse conceito de um falso deus, o movimento da Palavra da Fé ensina que quando você se torna cristão, passa a fazer parte de uma raça de pequenos deuses. Kenneth Copeland declarou explicitamente o que muitos mestres da Palavra da Fé sugerem mais sutilmente. Isto é o que Kenneth Copeland escreve: “Ele passou a fazer parte de você quando você nasceu de novo. Pedro foi bem direto nessa questão. Ele disse: 'Somos participantes da natureza divina'. Essa natureza é a vida eterna em perfeição absoluta, que foi transmitida, injetada em seu ser espiritual e você a recebeu de Deus da mesma forma que você transmite a seu filho a natureza da humanidade. Aquela criança não nasceu como baleia, nasceu como ser humano, não é verdade? Bem, agora você não tem um humano, não é mesmo? Você é um. E você não tem um deus em você, você é um”. Fecho aspas.

Copeland ensina que Adão foi criado na categoria dos deuses; isto é, Adão era uma reprodução de Deus. Ouça o que ele diz, abre aspas: “Ele não estava subordinado a Deus. Adão caminhava como um deus. O que ele disse se fez, o que ele fez contou, e quando ele dobrou seus joelhos diante de Satanás e o colocou acima dele, não havia nada que Deus pudesse fazer quanto a isso, porque um deus havia colocado Satanás ali. Lembre-se, Adão foi criado na categoria dos deuses, mas quando cometeu alta traição, caiu abaixo da categoria dos deuses”. Fim da citação.

Na cruz, de acordo com Copeland, Jesus conquistou o direito de os crentes nascerem de novo na categoria dos deuses. Adão foi criado como um deus, e não como subordinado a Deus. Ele perdeu essa posição, e em Cristo somos levados de volta à categoria dos deuses. Com essa afirmação, Copeland acredita que Jesus, abre aspas: “Conquistou a cura, conquistou a libertação; Ele conquistou prosperidade financeira, mental, física, familiar. Ele disse que iria suprir minhas necessidades de acordo com Suas riquezas em glória por Cristo Jesus, e eu estou andando e dizendo: 'Sim, minhas necessidades são satisfeitas de acordo com Suas riquezas em glória por Cristo Jesus'. Glória a Deus. Eu anseio o medidor da necessidade, anseio o “Eu Sou”, aleluia, e digo isso com todo o respeito, para que isso não o irrite muito, mas digo assim mesmo. Quando leio na Bíblia o trecho em que Deus diz “Eu Sou”, apenas sorrio e digo que sim, eu sou também”. Fecho aspas.

Isso é uma blasfêmia tão grande que deveria fazer todo verdadeiro filho de Deus estremecer, mas é típico do ensino da Palavra da Fé. Qualquer ser humano que se chame de “Eu Sou”, Javé, o Deus eterno, salvador e soberano, comete uma blasfêmia. Diante de críticas por algumas de suas declarações sobre a divindade do crente, Copeland apareceu com Paul e Jan Crouch no programa “Louvado seja o Senhor” da Trinity Broadcasting Network, para defender seus ensinamentos. Esta é a conversa que se seguiu. Paul Crouch afirmou: "Deus nem faz distinção entre Ele e nós". Kenneth Copeland prosseguiu: "Nunca, nunca, você jamais pode fazer isso num relacionamento de aliança". Paul Crouch: “Você sabe o que mais foi resolvido esta noite? Esse clamor público e controvérsia gerados pelo diabo para tentar trazer dissensões dentro do Corpo de Cristo de que somos deuses; eu sou um pequeno deus”. Kenneth Copeland: "Sim, sim." Jan Crouch: “Absolutamente. Ele nos deu o Seu nome”. Kenneth Copeland: "Essa é a razão de sermos". Paul Crouch: “Eu tenho o nome dEle. Eu sou um com Ele. Estou numa relação de aliança. Eu sou um pequeno deus. Críticas, afastem-se!" Kenneth Copeland: "Você é tudo o que Ele é”. Paul Crouch: "Sim".

Paul Crouch, chefe e apresentador da Trinity Broadcasting Network e, portanto, uma das pessoas influentes e mais poderosas nas atuais redes religiosas, afirmou repetidamente seu compromisso com a doutrina dos pequenos deuses da Palavra da Fé. Mais uma vez uma citação: “Essa nova criação que surge com o novo nascimento é criada à imagem Dele. Aí ela se junta a Jesus Cristo. É isso? Então, nesse sentido, eu vi isso há muitos anos, seja qual for a união que une Pai, Filho e Espírito Santo, Ele diz: 'Pai, eu quero que eles sejam um comigo, assim como tu e eu somos um nós'. Então, aparentemente, o que Ele faz é abrir a união da própria Divindade e nos incluir nela”.

De acordo com essa visão, nós nos tornamos parte da Trindade. Outros mestres da Palavra da Fé reiteraram a heresia. Charles Capps escreve: “Ouvi pessoas dizerem: ‘Aqueles que confessam a Palavra de Deus e dizem as promessas de Deus repetidamente estão apenas tentando agir como Deus’. Sim, é exatamente isso que estamos tentando fazer, agir como Deus faria em uma situação semelhante. E o que Ele fez? Ele disse o nome da coisa desejada”.

Earl Paulk, outro deles, escreveu, abre aspas: "Até compreendermos que somos pequenos deuses e começarmos a agir como tal, não poderemos manifestar o Reino de Deus". Fechar aspas. Robert Tilton também diz que o crente é - abre aspas: “Um tipo de criatura divina projetada para ser como um deus neste mundo. Projetado e criado por Deus para ser o deus deste mundo”. Outro de seus pregadores populares, Morris Cerullo, teve a seguinte conversa com Dwight Thompson na televisão. É comum vê-lo na TV. Morris Cerullo: “Veja, quando Deus nos criou à Sua imagem, Ele não pôs nenhuma amarra em nós, pôs? Ele não nos fez como fantoches". Dwight Thompson: "Não, de maneira alguma". Morris Cerullo: “Ele não disse: 'Morris, levante sua mão', 'levante a sua' - e aqui estamos nós. Não temos absolutamente nenhum controle sobre nós.” Dwight Thompson: "Não, não, não". Morris Cerullo: “Ele fez de Dwight Thompson; ele fez de Morris Cerullo um pequeno deus em miniatura. É claro. A Bíblia diz que fomos criados à imagem de Deus, à Sua semelhança. Onde está essa semelhança com Deus? Ele nos deu poder, Ele nos deu autoridade, Ele nos deu domínio. Ele não nos disse para agir como um homem, Ele nos disse para agir como um deus". Fim da citação

Benny Hinn acrescenta, abre aspas: “A nova criação é criada segundo Deus em justiça e verdadeira santidade. O novo homem é segundo Deus, como Deus, semelhante a Deus, completo em Jesus Cristo. A nova criação é como Deus. Posso dizer assim? Você é um pequeno deus andando por aí na terra”. E foi assim que Hinn respondeu às críticas a esse ensino: “Você está pronto para uma verdadeira revelação? Preste atenção. Ele deixou de lado Sua forma divina para que um dia eu fosse revestido aqui na terra com a forma divina. Kenneth Hagin tem uma doutrina; muitas pessoas têm problemas com isso, mas é uma verdade absoluta. Kenneth Copeland tem uma doutrina e muitos cristãos a criticam, mas é a verdade divina. Hagin e Copeland dizem: 'Você é deus, vocês são deuses'. 'Oh, eu não posso ser Deus'. Espere! Vamos trazer equilíbrio para este ensino. Hagin ensina o equilíbrio; são aqueles que o repetem que estragam tudo. O equilíbrio está sendo ensinado por Copeland, que é um querido amigo; mas são aqueles que repetem o que ele diz que atrapalham. Você entende, irmão? A Bíblia diz que quando Jesus estava na terra '...Ele primeiro se despiu da forma divina'. Ele, o Deus ilimitado, tornou-se um homem para que nós, homens, possamos nos tornar no que Ele é”. Fechar aspas.

Observe que eles destacam versículos que indicam que participamos de algumas coisas verdadeiras a respeito de Deus, mas chegam ao extremo em que nos tornamos Deus. Nós participamos do amor de Deus, não é mesmo? E da justiça de Deus, e desfrutamos da graça de Deus, mas não somos Deus. Hagin diz, abre aspas: “Se algum dia acordarmos e percebermos quem somos, começaremos a fazer o trabalho que devemos fazer, porque a igreja ainda não percebeu que é Cristo. É isso que somos. Somos Cristo”. Agora não somos apenas Deus, somos Cristo. Assim, os mestres da Palavra da Fé concordaram em destronar Deus e nos colocar em Seu lugar.

Todas as falácias são decorrentes desse erro fundamental. Por que eles ensinam que saúde e prosperidade são o direito divino de todo cristão? Porque nós somos Deus; merecemos isso. Certo? Se sou Deus, mereço prosperidade. Por que eles ensinam que as palavras do crente têm poder criador e determinante? Porque no sistema deles somos Deus. Como Deus criou as coisas pela palavra, e nós somos Deus, então também podemos criar pela palavra. Eles compraram a mentira original de Satanás. “A serpente disse à mulher: 'Você certamente não morrerá, pois Deus sabe que no dia em que você comer deste fruto, seus olhos serão abertos e você será como Deus’”. Isso foi uma mentira. O homem nunca será como Deus. Seremos um homem glorificado, não Deus. A ideia de que o homem pode ser como Deus é e sempre foi a mentira satânica. Foi a mentira que - ouça isso - derrubou o próprio diabo. Ele disse: "Eu serei como Deus".

Os mestres da Palavra da Fé em geral usam dois textos como evidência para apoiar seu ensino. Ouça - este é o caso deles aqui - no Salmo 82:6, Deus diz aos governantes da terra: “Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo”. Eles citam isso o tempo todo, Salmo 82:6; talvez você queira voltar a ele. Concluiremos apenas com uma olhada nos dois textos que eles usam e continuaremos na próxima semana. Salmo 82:6, Deus diz aos governantes da terra: "Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo”.

E então eles dizem: “Está vendo? Deus diz que somos deuses".

Uma simples leitura do salmo, no entanto, diz algo muito, muito diferente disso. Se você olhar para o salmo, verá que essas palavras foram ditas a governantes ímpios que estavam prestes a serem julgados, governantes ímpios prestes a serem julgados. Veja o versículo 7. Eles nunca querem ler o versículo 7. “Todavia, como homens, morrereis e, como qualquer dos príncipes, haveis de sucumbir. Levanta-te, ó Deus, julga a terra”. O que isso significa? Aqui há uma nota de ironia. Deus olha para esses governantes, que têm dado sentenças injustas. De volta ao versículo 2: eles têm julgado injustamente. Eles têm mostrado parcialidade com os iníquos. Em vez de justiça, eles têm praticado a injustiça, e o Senhor diz: “Olhe, aos seus próprios olhos vocês pensam que são deuses, mas vão morrer como” - o quê? - "homens". Como é possível tirar esse sexto versículo desse contexto e transformá-lo na afirmação de que o cristão passa a ser um deus? Longe de confirmar sua divindade, Deus os condena por pensarem que eram deuses.

Os mestres da Palavra da Fé apresentarão imediatamente seu outro texto favorito para provar seu ponto de vista: João 10:33 e 34. E adivinhe? É aqui que Jesus cita o Salmo 82:6; portanto, se você entendeu o Salmo 82:6, não terá problemas para entender João 10. "Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?”

Observe a intenção de Jesus ao escolher esse versículo. Era um texto muito familiar para os escribas e fariseus. Eles entenderiam que aquele versículo era uma condenação dos governantes iníquos, e que Jesus estava simplesmente ecoando a ironia do salmo original.

Walter Martin escreveu um excelente comentário sobre isso. Ele disse: “Jesus zomba do povo como se dissesse: 'Vocês todos pensam que são deuses. O que é mais um deus entre vocês?’ Ooh, a ironia. ‘Vocês vão me apedrejar por eu afirmar ser Deus? Vocês todos estão afirmando a mesma coisa. O que é mais um deus?’ O sarcasmo". Walter Martin diz: “A ironia é usada para nos provocar, não para nos informar. Ela não é uma base para construir uma teologia”. Além disso, ele diz: “Para compreender João 10 também é importante lembrar que Satanás é chamado de 'governante deste mundo' por uma autoridade - nada menos que o Senhor Jesus Cristo - e Paulo reforça isso ao chamá-lo de 'deus deste século’. Podemos transformar qualquer coisa em um deus: dinheiro, poder, status, posição, sexo, patriotismo, família ou, como no caso de Lúcifer, um anjo. Podemos ser nosso próprio deus; mas chamar algo de divindade ou adorá-lo, ou tratá-lo como divino é muito diferente de ser, por natureza e em essência, uma divindade. Jesus não os chama de ‘Deus’ no verdadeiro sentido; Ele está dizendo que criaram um deus a partir de si mesmos, assim como as pessoas no Salmo 82 que sentiram a fúria do juízo de Deus”.

Deus disse aos israelitas rebeldes em Isaías 29:16: “Vocês invertem as coisas. O oleiro será considerado igual ao barro?”, Isaías 29:16. O barro acha que é igual ao oleiro? De acordo com o movimento Palavra da Fé, qual é a resposta? Sim, se não for ainda superior. Eles têm o deus errado.

Bem, eles têm outras coisas erradas, e eu lhe direi quais são no próximo domingo à noite, e começaremos com o fato de que eles têm o Jesus errado.

Pai, mesmo quando falamos sobre essas coisas, quase passamos a descrer; não porque não estamos acostumados ao erro, mas não estamos acostumados ao erro recebido por pessoas que dizem que pertencem à verdade. Estamos chocados com o fato de tantos cristãos afirmarem que creem na verdade, mas se identificam com as terríveis heresias desse movimento. Sentimos que o cristianismo evangélico se tornou absolutamente indefinível. Ele está tão amorfo. Não tem limites. É inexplicável. Quase sentimos que precisamos sair disso tudo e começar tudo de novo. Senhor, tanta gente está confusa, muitos desviados. Oramos apenas para que de alguma forma a Tua verdade os alcance e que eles Te adorem como o Deus soberano e não o transformem em seu criado, mas se prostrem na Tua presença e implorem pelo privilégio de sofrer, se necessário, por Tua causa - doença, pobreza ou morte, se quiseres. Que, como o apóstolo Paulo, eles se regozijem no sofrimento; que sejam gratos por perseguições, angústias, privações, se for a Tua vontade, porque Tu és soberano.

Pai, ajuda-nos a saber que somos, na melhor das hipóteses, homens e não mais que isso. Homens que foram tocados pela graça transformadora de Cristo. Homens em quem o Espírito Santo vive, mas somos homens e não mais que isso; homens redimidos. E como homens, devemos ser humildes diante de Deus. Nós lamentamos, Pai, que tenhas sido tão desonrado, tão humilhado, que uma difamação tão terrível tenha vindo sobre Teu santo nome por parte daqueles que ensinam e acreditam em coisas tolas. E pedimos que Tu sejas exaltado e interrompas esse ensino degradante. No nome do Salvador pedimos. Amém.

FIM

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